
TARIJA (Bolívia). A pressão do gás que brota do poço Sábalo I — um dos quatro explorados pela Petrobras no campo de San Antonio, no Sul da Bolívia — é tão forte e ruidosa que só é possível se aproximar do local usando protetores de ouvido. Sábalo I, sozinho, produz por dia três milhões de metros cúbicos de gás, mais do que os 800 poços da Petrobras em Urucu (AM) juntos. Mas a pressão que vem das profundezas do solo do Gran Chaco boliviano, onde estão as maiores reservas de gás do país, não assusta a Petrobras. O que tira o sono de seus dirigentes há dias é outro tipo de pressão: o risco da nacionalização ou mesmo da expropriação de suas atividades, promessa de campanha do presidente Evo Morales, prestes agora a virar um decreto governamental. A Petrobras é alvo de uma perigosa campanha de tons xenófobos que se espalha pela Bolívia, principalmente nas regiões indígenas do altiplano, e mira o Brasil, visto por lá como um usurpador das riquezas de um país historicamente assolado pela miséria.Com mais de US$ 1 bilhão investido na exploração, no transporte e no refino de gás e petróleo na Bolívia, a Petrobras é o principal ator da economia do país. Responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas em um ano), 20% da arrecadação fiscal e 98% da capacidade de refino bolivianos. Os números temperam os discursos inflamados que transformam as empresas brasileiras em “títeres do imperialismo”, uma das expressões prediletas de Jaime Solaris, secretário-geral da Central Operária Boliviana (COB) e uma das vozes mais radicais do país.



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